quarta-feira, 26 de abril de 2017

hoje sonhei

na verdade o sonho foi de ontem e não de hoje.

"Sara" foi a palavra que esteve sempre presente no sonho.
o teste que iria confirmar era de sangue, uma cena muito sádica - precisavam de sangue mas o mesmo tempo também precisavam de ficar com algum tipo de informação em mim, então o meu dedo iria ser colocado numa espécie de máquina de costura, a agulha iria fazer com que o sangue fosse extraído e deixava-me uma linha cosida, de um lado ao outro do dedo.
"Sara". eu não estava a conseguir deixar a minha mão quieta no local e por isso o A agarrou-me, enquanto eu gritava (não sei se o grito era só por dentro ou também por fora).. não só de medo da agulha mas porque tudo aquilo me estava a sufocar. "Sara".
pensei que era um assunto mais que resolvido em mim, e de vez em quando.. este "Sara" gigante que se apodera, pondo tanto em causa, fazendo-me estar um dia inteiro a chorar, a questionar-me, a pensar que posso estar a matar os planos de Deus para mim, a ver carros e constantemente os "e se" na minha mente.
no segundo em que a máquina furou o meu dedo, a médica teve a informação que precisava, e escondida em frente ao monitor, grita do outro lado da sala: eu sabia, vão ter uma menina!
"Sara".
esqueci de lhe perguntar de que tempo estava.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

online

gosto tanto de fazer compras online!

comparamos tudo o que nos apetece.
pensamos o que temos a pensar.
pedimos opinião.
vamos à concorrência e comparamos preços.
gravamos e pensamos mais um pouco.
imaginamos com tempo a compra em nossa casa.
decidimos, compramos, escolhemos dia e hora, pagamos.. tudo sentados!

tenho a experiência de ir buscar aos CTT, irem levar ao trabalho, a um local de parceria, a casa.
tenho experiência de comprar roupa, comida, detergente, sapatos, roupa mini, frutos e legumes biológicos..
e agora.. vou ter de móveis! viva a nova loja IKEA online (não, não ganho nada com a publicidade!).

e depois, aquelas cócegas na barriga no dia de entrega à espera que a campainha toque, o entusiasmo enquanto os senhores sobem até nossa casa, o cheiro a "coisa nova"!

e a espera que o meu irmão mais velho vá lá a casa ajudar na montagem :)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

sonhos

lembro-me de ser muito miúda e sonhar, muito. lembro-me de algures quando eu andava na primária, estar no trabalho da minha tia e ao falar-lhe sobre um sonho que tinha tido, uma cliente dizer "coitadinha, assim não descansas durante a noite". lembro-me que sempre dormi mal, mas nunca associei aos sonhos.
sempre tive sonhos maus e angustiantes, muitas vezes tive pesadelos de acordar encharcada em suor e tão assustada que não conseguia adormecer novamente, ainda os tenho.
sempre tentei não lhes dar importância, não porque me tenham dito para o fazer, mas porque era a minha única opção: que outra coisa fazer quando sonhava com pessoas reais a fazerem mal a outras? quando eu fazia mal a outras? quando via alguém morrer?
muito mais tarde a minha ideia em relação à sensibilidade que todos podemos ter de ler o que não está escrito começou a mudar. como ficam os sonhos neste novo pensar? ainda não sei.

recentemente, fiquei feliz quando sonhei que uns amigos estavam grávidos e estavam. não por eu ter acertado mas por eles o desejarem. senti-me mal quando sonhei que comprei a vivenda duns amigos, quando acordei sentia que tinha roubado-lhes algo e no dia seguinte soube que eles estavam a divorciar-se. fiquei incomodada quando sonhei que os pais duma amiga tinham ido para o hospital e a mãe tinha morrido, telefonei-lhe durante o dia e perguntei pelos pais, sem dar motivos. a verdade é que ambos estão velhotes e vi-os à pouco, podia ter feito 'o filme' porcausa disso.
fiquei assustada quando sonhei que uma das minhas maiores amigas tinha cancro e estava muito mal já nos últimos tempos de vida, pensei que a mãe dela morreu à pouco tempo de cancro e misturei tudo no estúpido sonho.
e hoje, não sonhei, foi ela que me contou, que após os exames preliminares, vai agora fazer uma ressonância magnética porque encontraram caroços onde não deviam estar com aspecto que não deviam ter. e ela questiona-se se deve ou não fazer tratamento caso seja necessário.
e agora faço o que fiz sempre, desde que aprendi a escrever: escrevo um sonho mau. não para depois saber se se tornou real, mas para passá-lo para o papel (ou para o virtual) e a seguir conseguir simplesmente esquecê-lo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

o mistério das meias perdidas

em todas as casas é o mesmo problema. em todas não será, porque há pessoas muito orientadas e a verdade é que nunca ouvi a minha mãe a queixar-se desta situação (tenho de lhe perguntar).
em muitas casas o mesmo problema: onde está o par desta meia?

pois ando em cima deste assunto e aqui vão umas teorias:
- uma das meias caiu para trás do cesto da roupa, e ao tirar o cesto para as limpezas foi arrastada para baixo do frigorífico. quando arrastarmos o frigorífico para limpar, já passou tanto tempo que não nos lembramos que deitámos a primeira meia fora;
- uma das meias voou do estendal. eventualmente alguém vai vê-la e pô-la num sítio da rua para os vários vizinhos verem se é seu. o problema é que, mesmo que a meia não tenha sofrido qualquer aventura, vai estar com aspecto de ter sido violada pela boca de quatro cães e nem pensar em tocá-la;
- o cônjuge menos atento fez parelha com meias erradas. esta chateia-me, porque é possível que as meias não se voltem a juntar durante muito tempo. são forçadas a uma relação ilícita sem ninguém tirar prazer. tenho três pares de meias castanhas escuras. material, textura, tipo de coz semelhante. mas uma tem números por baixo dos dedos, outra tem letras junto ao coz, e a outra não tem nada - acho muito difícil não se ver o par, por muito que letras e números sejam minúsculos. tenho, tentando não exagerar, uns quinze pares de meias pretas, mas umas têm pequenos números ou letras, outras têm o coz maior ou menor, ou mesmo cortado por me apertarem. umas estão mais largas, outras deslavadas, umas tendem para o azul e outras para o cinza. qual a dificuldade?? o pior é se descubro que quem as trocou fui eu!

quais são as tuas teorias?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

wrap up

gosto de embrulhos.

contêm o sonho muitas vezes desconhecido, escondido. fazem parte do que estou a oferecer.

estraga-me algo cá dentro quando se desembrulha à pressa, a parecer que não se olhou para o exterior, não se parou dois segundos a perceber que aquilo também foi pensado. não me chateia que se rasgue e deite fora o papel, apenas que não se dê atenção.

adoro fazer embrulhos que, mesmo imperfeitos, infantis, what ever, demonstrem o carinho que ali coloquei. e ainda adoro quando estou sem imaginação e ela aparece de surpresa.

hoje depois dos miúdos deitados e marido a ir trabalhar, levei umas quantas coisas para a sala e comecei. não sabia o que fazer de diferente, apenas sabia que estava quase sem tempo e não sabia onde e como escrever o nome do destinatário.

então pensei em fazer árvores de natal em washi tape, e quando olhei para o papel a usar para as prendas dos miúdos, tudo fez sentido: washi tape colorido a fazer de cachecóis :)

domingo, 11 de dezembro de 2016

calendário do advento: dia 10

fazer bolachas com os primos.

mas antes foi mais uma manhã maluca, em que faço com eles as coisas que têm de ser feitas, e às vezes arrependo-me porque não consigo descobrir forma de fazer melhor. o carro que não me deixa descansada, o dinheiro que só sai, ambos super irrequietos numa ourivesaria cheia de vidros super limpos e invisíveis, cansados quando preciso (já) trocar uma prenda que ainda nem ofereci. tantas birras por quem pede pelo meu tempo, tantos malabarismos com quem se acha na idade de que pode tudo. chegar esgotada e ter de acordar ambos para subirmos para casa, não por estar carregada mas porque não é justo para ela eu levar o mano ao colo que já sobe tão bem as escadas. e ainda o meio dia está longe e o meu cansaço e controlfreack a descontrolarem-se e a saírem em forma de grito com quem não tem culpa. o almoço inicia e o pai acorda, quando o apanho sozinho caio nos seus braços e desmancho-me como há tanto não acontecia, mas mesmo assim é só a ponta do iceberg. um único pensamento: não foi isto que desejei quando sonhei ser mãe!!

foi o suficiente para apanhar ar para respirar fundo e prosseguir. sorrir, agradecer.

e os primos vieram cá, chegaram já estavam quase os scones a ir para o forno (deviam ter sido o dobro mas não pensei que o nosso lanche fosse movendo-se até quase à hora da ceia). depois veio a massa das bolachas, de gengibre e canela, bem escuras até porque a farinha era também escura. ver todos sorrir, poder brincar, poder falar desabafar, partilhar os nossos filhos com os tios e primos, e sentir mesmo que todos os fazemos. adoro quando o meu irmão chama o S para brincar porque me vê esgotada, adoro como a D adora estar com os primos mais velhos, adoro como o meu irmão pega no S para fazer bolachas ou o que seja, adoro como o miúdo venera o tio e lembro-me como o meu irmão achava, no seu primeiro ano, que o miúdo não gostava dele.. adoro como partilho tanto com a minha cunhada.

[um mata post: aquele post que tem vários temas sem ter nada]

vê-los felizes, atender o telefone do meu irmão quando a minha mãe liga e conseguir engana-la. saber que uma das memórias mais antigas do meu irmão é de nós dois a brincarmos na marquise da minha mãe e eu mandar um chinelo pela janela. ficar a saber que há uma escola domiciliar muito perto de mim e fazer-me algum sentido.

e tê-los a agradecer-me por este dia com os primos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

dezembro

 Carla Nazareth ilustrações

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