terça-feira, 21 de novembro de 2017

home staging ou embelezar uma casa antes da venda

eu gosto de fazer as coisas devagar, bem pensadas, decidir para sempre. eu sei que decidir para sempre não é possivel e coloco-me uma enorme pressão em cima. é horrível,  mas faz-me também antecipar possíveis problemas e procurar opções antes de estar na situação.

eu quero uma Forever Home. sempre o quisemos individualmente e como casal. chamamos assim porque é para sempre,  não queremos comprar mais (resguardamo-nos ao direito de mudar de ideias). será para sempre até sempre, ou até comprarmos uma autocaravana, ou até irmos para uma casa de velhotes quando não nos tivermos mais para chatear.

aquela onde vamos fazer pequenos e grandes jantares (apesar disso já fazer nesta), aquela onde vamos ver os nossos filhos crescer (apesar de já ter começado aqui), onde vamos ter uma pequena horta, fazer desenhos com giz no quintal, decidir em que sitio vamos marcar o crescimento dos miúdos, ter natais e festas de aniversário para cansar e sujar (mas sem estar a levar tudo para outra casa), trazer os primos a dormirem a noite, ter duas cadeiras no jardim para ficarmos à conversa depois de os deitarmos, ou a ler em silêncio ou com as pernas a apanharem sol. ter os pequenos almoços no jardim, preocuparmo-nos com os arranjos de "condomínio", encontrar novos esconderijos, envelhecer de mão dada. pendurar o abre cervejas na churrasqueira - aquele de parede que até tem depósito para as caricas, aquele que te ofereci após uma discussão onde pensámos no que não devíamos, dizendo-te que era uma prova que queria a churrasqueira e contigo e para sempre.

pensámos que a altura ideal seria quando as crianças já tivessem no mundo, quando já tivessem na escola pública, quando já subissem e descessem escadas à vontade (apesar da mãe ainda precisar de mais tempo para confiar sem estar três degraus abaixo). o problema é que isso está a chegar e não temos a vida toda como imaginamos (o que não tem de ser mau), mas o problema a sério é que há bocado estava na casa da minha mãe a suspirar por um moço da minha turma que me fazia dar gargalhadas e a imaginar-me numa casa linda com ele. de repente estamos aqui, quase com os dois Bichinhos na escola e com apertos na barriga ao pensar em como a vida voa.

MAS a ideia hoje é dar dicas práticas e não tagarelar! e sempre me fez confusão como é que se põem casas à venda com fotos (e até visitas) em que a casa está suja e desarrumada, não é obvio que assim não se chega a lado nenhum? há uns tempos descobri que nos USA uma casa "melhorada" pode aumentar o seu valor de mercado até 15% (mas OK, eles têm realidades diferentes e podem até mudar os móveis da cozinha a custo baixo), mas em Portugal,  onde o staging está a dar os primeiros passos, já há estudos que referem que a casa pode sofrer um aumento até 6%! numa casa é muito! :)

então o staging é no fundo pôr o marketing em ação e tem duas vertentes:
. melhorar a casa antes de a colocarmos à venda
. embelezar a casa antes do vendedor, do avaliador ou dum possível comprador chegar

para mim a grande premissa é gastar o mínimo possível - porque a ideia é fazer dinheiro e porque já não vamos usufruir muito das alterações que fizermos. e depois, ter tudo perfeito até porque uma casa arrumada demostra uma casa cuidada mesmo no que não se vê!

então aqui vai..
Dicas Melhorar a Casa:
. fazer uma lista de coisas a melhorar e decidirem o que vale a pena ou não fazer,
. arranjar tudo o que estiver estragado, incluindo aquela porta da cozinha que descaiu há dois anos e que ainda ninguém arranjou
. simplificar, minimizar e subtrair pois uma casa mais light é uma casa mais aberta e arejada, é maior, é mais fácil de imaginar com outra mobilia, decoração e de sonhar o nosso futuro ali
. pensar, junto com a imobiliária, qual é o nosso público alvo e se faz sentido fazer alguma alteração tendo isso em mente
. "hotelarizar" os espaços é outra dica que na minha opinião tem de ser gerida com cuidado. é importante retirar o máximo de fotos e objectos pessoais para que possiveis compradores consigam visualizar o espaço como seu, mas isto tem a ver com os dois últimos pontos (público alvo e minimalismo) porque se é verdade que o ambiente de hotel (minimalismo despersonalizado extremo) ajuda e muito para os imóveis de luxo, não estou convencida que faça o mesmo por mim. parece-me que os possíveis compradores da minha casa serão um pouco mais novos do que eu e em início de vida, não será mais fácil imaginarem-se ali ao verem uma foto de casamento e pensarem que são eles? ou verem a primeira foto dos manos a conhecerem-se e tentarem adivinhar se os seus filhos serão mais pai ou mais mãe? mas há vantagem em alguma despersonalizacao mas para mim também é difícil no sentido prático - é fácil tirar uma foto duma estante, mas não o é quando falamos em trocar uma foto de parede que está numa moldura enorme. [em relação a partilhas, estou aqui apenas a falar de fotos e companhia, ainda estou a ponderar se é boa ideia partilharmos que o S nasceu aqui.. há quem possa achar estranho e fugir como se se tratasse de um assassinato em série, não?]
. sifões muito visíveis são faceis e baratos de mudar,
. pintar só se for necessário mas muitas vezes vale bem o dinheiro! se forem pintar, tentem manter a personalidade da casa mas com cores  neutras "da moda", neutras e claras porque aumentam o espaço
. limpar todas as manchas da parede: gorduras, humidades, riscos (mesmo que haja o risco de alguém a pintar na hora a seguir, mesmo que seja uma pintura de valor emocional),
. limpar tudo e mais alguma coisa ao pormenor,
. se precisarem de mudanças mais caras, como o lavatório do wc, comprem o mais barato possível com alguma qualidade, design prático e traços modernos qb, queremos agradar a diferentes estilos. as lojas que vendem este tipo de coisas têm saldos e têm alturas de escoação de stock com desconto extra - precisámos de comprar um lavatório e não queríamos gastar muito, fomos a uma loja de preços razoáveis e perguntámos se havia material de fim de coleção ou de exposição mais barato, havia e se não houvesse tínhamos esperado mais um pouco. foi cerca se 60% mais barato que o novo!
. rever e compor decoração como cortinas, almofadas, quadros descaidos, etc
. o que não for possível arrumar, esconder - atenção que os compradores têm todo o direito de abrir todos os armários embutidos. se um móvel está cheissimo não se consegue ver o seu potencial. e se eu não tenho o cuidado de arrumar bem as coisas, que imagem passa sobre cuidar bem do que estou a querer vender?
. o que não for possível esconder, disfarçar

Dicas para Dias de Visitas:
. estar tudo limpo e impecável
. arejar a casa
. colocar perfume suave para casa
. colocar música ambiente
. se possivel, mandar os animais de estimação para os "avós"
. acender todas as luzes, especialmente as pequenas que muito nos esquecemos mas que dão um ar mais bonito e acolhedor

espero que seja útil a alguém :)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

soccer box ou futebol da palhinha

desde que a D entrou no Jardim de Infância,  todos os anos há o Projeto Famílias.  é  alguma coisa que faz os pais interagirem com a escola. no primeiro ano fizemos fantoches e fomos contar a história. no segundo ano foi uma experiencia científica. agora ja com o S, é a vez de construir um jogo!
o plano é simples: fazer um jogo, experimenta-lo em família e levá-lo para a escola.
por outras palavras: primeiro vi uma ideia gira no Pinterest, a seguir recolhi os materiais, comecei o projeto e até parece que vai ficar engraçado mas passado dois minutos já estou a dizer mal da vida e a questionar porque não escolhi o jogo do lenço (!) entretanto ganho força e tudo fica acabado. parece giro, mas quando nos reunimos os quatro para o testar, é que confirmo que valeu mesmo a pena, todos nos divertimos e o maridāo diz que temos de arranjar jogos para quatro :)
MATERIAL:
. caixa de pizza
. lápis régua e compasso (para as linhas)
. tintas (usei acrilica e caneta branca)
. washi tape (para fazer as balizas)
. decoração lateral (usei autocolante de bonecada para plateia, se fossem mais velhos fica giro colar as marcas patrocinadoras do clube dos miúdos)
. palhinhas
. bola pequena e leve (pode ser um pequeno pompom ou uma bolinha de algodão)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

o quarto dos Bichinhos

regressei a casa depois da cirurgia na quinta feira e até domingo estivemos sem os nossos filhos cá em casa. sei que fisicamente foi o melhor para mim, mas custou duma forma que não sei comparar.

o quarto deles chamou-me várias vezes (e eu não acredito que as coisas tenham voz). dei por mim em pé, muitas vezes, no quarto deles a olhar.

um desses dias descobri a razão: não estava ali à procura de recordações ou cheiros, não estava a imagina-los novamente a brincar, não. estava a confirmar que tê-los naqueles dias longe de mim, era uma questão de sobrevivência e de amor, do meu amor por eles, o qual não devo colocar em causa como habitual.

e num desses dias em que estava ali em pé descobri que o quarto dos meus filhos é, indiscutivelmente, o local do nosso lar onde cada canto transborda de amor. pode não se gostar do estilo, das cores, do espaço, mas nesse dia tive certeza que ali está amor.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

agrafos free :)

no segundo dia após a operação, à conversa com um enfermeiro:
- vou mudar o penso para ver os agrafos.
- quais agrafos? não são os mesmos pontos de parto que saiem sozinhos?

nesse momento caiu-me a ficha.. teria de tirar os agrafos. nesse momento já tinha total consciência de que tinha um dreno em mim (chamei-o "pochete" desde que fui apresentada) e que ele iria sair.

eu que faço das perguntas mais chatas e às vezes inconsequentes ou até mesmo impróprias, não fiz quase perguntas sobre o pós operatório e abençoada ignorância!

o bom é que não foi dificil tirar a pochete, nem os agrafos, mesmo!

sabem que o meu número da sorte sempre foi 18? tive dezoito agrafos :)

terça-feira, 31 de outubro de 2017

simple things

coisas pequenas e simples, aleatórias, que têm um gosto especial quando se está de baixa em pós operatório duma operação à coluna, partindo das premissas que não me posso baixar ou dobrar:
. pôr loiça máquina- tudo o que é para a prateleira de baixo, é o A que pôe, mas os talheres parece-me que é demais deixar para ele... confesso, não estou habituada a que façam coisas por mim! então, com a prateleira de baixo toda para dentro porque não a consigo puxar, atiro o talher para o cesto (já vos contei que dividimos os talheres no cesto da máquina? tudo a aumentar o grau de dificuldade). a maioria das vezes o talher não fica em nenhuma das divisões do cesto, cai para o fundo da máquina, e é o A que tem depois de o apanhar.
. virar-me na cama - claro que felizmente vai melhorando..
. ver séries numa cadeira rija - as séries não vêm com um sofá e mantinha? como é que se consegue ver e se necessário chorar, quando estamos a ver uma série com o rabo dorido numa cadeira dura?
. ir à casa de banho: se baixarmo-nos para sentar dói, se fazer uma força (aparentemente mínima) para o xixi sair dói, se levantar dói... imaginem o resto!
. espirrar - esta, até agora, está no topo! não é top 5 ou 3, é mesmo O TOPO. começamos com aquela comichão e ardor na cana do nariz, se espirro dói, se travo o espirro vem mais dois ou três de seguida, mas no milésimo de segundo deste pensamento, atrasei-me e o espirro está prestes a sair, ainda o tento travar ao mesmo tempo que me agarro a qualquer coisa que seja que me ajude a estabilizar os ossos para o que aí vem. aquela zona lombar, entre o rabo e os pulmões, aquela onde eu fui operada, afasta-se e junta-se, a dor é aguda e forte, ataca os rins, os músculos verticais ao lado da coluna, aqueles que foram mexidos na operação e que mal consigo tocar, gritam de dor e ficam vários minutos a latejar, como se tivesse soluços, cada soluço sua dor. e finalmente os agrafos lembram-me que existem, que estão lá, que ainda vou ter de passar pelo momento de os tirar, o espirro vem e a pele estica, fazendo lembrar plasticina velha com um prego ferrugento lá no meio, porcausa dos espirros e dos agrafos, pelo sim pelo não ontem fui à Clínica aqui perto, pedir à enfermeira que me mudasse o penso para ver se algum ponto estava inflamado. não estava (graças a Deus), é só a pele e a carne a esticar a cada espirro junto de um arame dobrado de ferro.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

sem vos ter aqui

passa das onze da noite, entro no quarto dos meus filhos. os estores estão abertos, sinto o quarto frio sem a vossa respiração. tenho medo de vos ter cá e não ser capaz de fazer algo se se aleijarem ou se me aleijarem. tenho saudades enormes e sentimentos de culpa estúpidos por não poderem estar aqui. hoje quando viemos do hospital passámos pela casa da minha mãe para vos ver. o vosso olhar quando me viram!!!!! as vossas mãos a darem-me "abraços de cara" que são aqueles em que as mãos apertam as bochechas com força e os beijinhos são dados quase ao pé dos lábios. o vosso calor e cheiro.
a D percebeu porque não veio, ficou triste. o S não percebeu porque não veio, senti-o confuso e triste.
consegui não chorar à frente deles, e agora passeio pelo quarto deles na esperança que já tenham passado mais dias e eles já estejam ali a dormir no nosso ninho.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

done it!

aconteceu. está feito. e segundo a minha mente, quando o segundo dia passa, o pior já passou. fui operada à coluna!

o A subiu comigo para o andar da operação, quando já não me podia acompanhar, acho que me deu um beijo. continuaram a levar a minha maca e eu sorri-lhe e acenei. como estava sem óculos e sem lentes, não sei qual foi a reação.
já me tinha dito muitas vezes que ia tudo correr bem.
já lhe tinha dito muitas vezes que ia tudo correr bem.
e assim, apesar dos nervos, mas certa de que ia tudo correr bem e certa de que ele não queria falar das maiores maluqueiras que as minhas que lhe passavam pela cabeça, apenas pude oferecer o meu melhor sorriso ao meu marido.

lembro-me duma enfermeira nova (pela voz, porque continuava sem ver nada) muito simpática a pôr-me o cateter muito suavemente, muitas conversas sobre turnos e trocas de colegas, um doutor espanhol que ia de seguida buscar a filha para a levar a Paris, da dra Joana anestesista, de desviarem várias vezes a minha maca para verem bem o quadro dos turnos e operações (estes gajos deviam ver a Anatomia de Grey para umas ideias mais práticas). lembro-me de todos muito simpáticos a brincarem uns com os outros - foi claramente o intervalo entre cirurgias onde precisavam de desanuviar em grande! lembro-me de pensar que, se me dessem na altura a anestesia, seria sem eu dar por isso, mas de forma muito pacífica.
veio um assistente do dr, também cirurgião, e também assistente do dr no hospital público onde me começou a seguir. apresentou-se, Pedro... com alguma barba, moreno, com uma senhora voz.. claro que eu ... não o consegui ver! ele viu exames, confirmou os sítios onde eu tenho mais dores, pediu desculpa por estarem sempre a confirmar as mesmas coisas..
eu disse: não se preocupe, eu percebo. não leve é a mal se eu o vir na rua e não o cumprimentar, porque sem lentes não vejo nada!
(!!!!!!!!!!!)
[já disse que por esta altura já me tinham dado um calmante há pelo menos uma ou duas horas? acho que se nota]
a seguir entrei na sala de operações, ouvi o meu neurocirurgião a dizer-me para me encostar à beira da marquesa, junto à outra marquesa que tinha dois "rolos" gigantes.
Dr.: É silicone, pode tocar.
Eu: podia ter dito que teria silicone, para lhe pedir para me fazer outras coisas também.
Dr.: Ah, sim? Como o quê?
..e não me lembro de mais nada.
adormeci calmamente e sem aquele nervosismo dos últimos segundos antes de sentirmos a anestesia, e foi bom assim.

dei por mim a tremer, alguém viu e pôs um aquecedor forte entre os cobertores. acordei com aquele quente, muito calmamente e a primeira coisa que fiz foi tentar mexer os dedos dos pés: CONSIGO e SINTO-OS! pouco depois estava a ouvir a voz do A em lágrimas! ele tinha que se ir embora o que me fez saber que a operação tinha demorado muito mais do que o esperado.

na terça tomei duche (abençoado) mas tive grande parte do dia a acordar e adormecer. o A esteve pouco tempo comigo porque parecia pior que eu (homens). o dr disse que me podia ir embora mas disse-lhe que preferia ficar mais um dia.
na quarta um enfermeiro experimentou o primeiro levante - considerando que já tinha tomado duche e ido várias vezes fazer xixi, não sei o que ele quis dizer. passado poucos minutos comecei a ficar muito mal disposta, quase com vomitos e toda a suar estupidamente, a tremer. estava ao telefone com uma amiga e para não a assustar, disse que estavam a bater à porta e desliguei enquanto tocava no botão - a quebra de tensão é muito habitual no pós operatório.
conforme me deitei, perguntei se podia fechar os olhos e adormeci logo.
poucas horas depois chegou o A, depois o almoço, depois a senhora Ana que faz visitas para companhia há mais de trinta anos - algo tão importante e simples que nos esquecemos!
o enfermeiro de Reguengos de Monsaraz tirou o dreno e depois o cateter do pulso e foi muito menos doloroso do esperado. fiquei umas horas sem qualquer medicação e estou viva, sem me contorcer de dores. decidi ficar mais uma noite, não propriamente por me sentir num hotel, mas porque amanhã estarei muito melhor.
os Bichinhos estão bem, tenho falado com eles todos os dias. mas não quero muito falar com ninguém sobre eles.
e a vista do meu quarto é, obviamente, de uma Princesa!

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