sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

dormir por aí

sinto que vou estar a vida inteira nisto: espantar-me com a estranheza do tempo e as suas velocidades. o tempo voa e tem alturas que me sinto apenas a pairar por ai. estou numa dessas alturas em que estou a duzentos por cento em todo o lado e em nenhum lado.

li algures que a maioria das depressões pós parto estão associadas ao mau dormir, ou melhor, ao não dormir. apesar de não me sentir há muito no pós parto, o resto faz-me tanto sentido. com três meses e tal, o S já começava a dormir cinco, seis horas, um ou outro dia mais e então o meu tio faleceu, o S voltou ao esquema de acordar a cada duas, três horas, mantém-se aos sete. se era difícil na licença, agora que voltei ao trabalho há quase mês e meio, torna-se quase insuportável.. nos últimos dias, algures na madrugada, há sempre um momento em que penso ser impossível sequer chegar ao comboio na manhã seguinte, que penso que me vou desmanchar aos bocados, que vou chorar de desespero até cair adormecida algures. mas não deixo qualquer lágrima cair, não me dou hipótese de pensar muito alêm de poucas horas a seguir. porque sei, já aprendi há muito tempo, que sempre que acho que não tenho mais para dar, mais força para me levantar, aguento, sobrevivo e melhores dias vêm.

não passa um dia que não agradeço pelos meus filhos, que não pense em como seria voltar só por umas horas, a 2011, em que sonhe em dormir, qual adolescente que acha que se apenas fosse amiga daquele rapaz especial, tudo na vida seria feliz e fácil. não passa um dia em que não olhe para a minha casa e ache que está tudo num nojo com tendência para me sufocar, mas não há dia que troque a limpeza maior por tempo de qualidade com os pirralhos.. vê-los crescer, a D a aprender tanta coisa, a ensinar o S a alta  velocidade, ler histórias, "correr à apanhada" com o mano atrás da mana, pôr os dois juntos no sofá ou cama para "conversar com o mano", vê-los crescer enquanto irmãos e companheiros. não há dia que não tenha certeza que tê-los perto foi a melhor opção, mas tenho muito sono acumulado. hoje o A fica com ele na sala durante a noite, eu no quarto. vou dormir esperando não acordar com o choro dele.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Don Sancho

hoje quando cheguei ao trabalho havia um prato com estas riquezas!

sábado, 17 de janeiro de 2015

por aqui

gosto muito de partilhas, dar e receber. adoro escrever e mostrar coisas nossas, do nosso mundo, mesmo com fotos cuja qualidade não transmita tudo o que gostava.

mas dou por mim com tempo muito limitado e a pensar se este é um bom tempo para partilhas, mesmo que poucas.

dar de mim nos sítios que tenho de chegar.

estar presente em casa, quando isso significa que a casa pode estar suja, mas os muitos abraços são apertados, não querer perder todas as teorias que a D nos conta, nem os momentos em que ela pede para colocarmos o mano ao lado dela porque quer conversar com o mano. ele olha-a esbugalhado, ela faz vozes diferentes para o entreter, explica-lhe calmamente que não se grita, tira-lhe mais à bruta a mão da boca, diz-lhe que pomos o braço à frente para fazermos atchim! mostra-lhe os brinquedos e como se podem usar, apresenta-lhe todos os personagens d'O Livro da Selva e do Ruca, diz-lhe que gosta do Luís, o amigo do Ruca. bater palminhas para ele, com ele, ensinar-lhe. cantar os Parabéns e ser sempre o mano S a fazer anos. pedir para acendermos o rádio na cozinha, pôr-se a dançar, eu ou o pai pegamos no mano e dançamos todos, o S ri-se à gargalhada. correr pela cozinha ou pelo hall "mãe olha para mim, estou a correr, pega no mano e apanha-me" e eu vou com ele virado para a frente e com os braços esticados, riem-se os dois à gargalhada, as gargalhadas de ambos são iguais, com o mesmo tom e as mesmas pausas. colocar o S no sofá com ela deitada ao lado, desviar o olhar e quando volto, está ela a dar a bolacha ao S, como se tivessem escondidos, ar cúmplice "mamã, o mano gosta da minha bolacha!", sim! aquela bolacha que ele ainda não pode comer, está na boca dele, ele suga e ri-se. estarem umas horas separados e quando se vêem, ela vem a correr "Shamueliiiii" ele põe-se aos saltinhos, quando é de manhã, o sorriso dela abre-se "o mano já acordou.. (aproxima-se) olá mano, dormiste bem? estás bom?" dá-lhe um beijo na cara, num sítio qualquer, o primeiro que vier, ele fecha os olhinhos e aninha-se à cara da mana.

voltar a trabalhar. nos dias que o S fica na minha mãe, estar mais preocupada mas respiro e esqueço, disse à minha mãe que não irei telefonar e pedir para fazê-lo sempre que precisar, mas não mais que isso, explicar-lhe que não é desinteresse ou despreocupação, é confiar nela e saber que ele está bem, é precisar também eu de estar bem e precisar de me focar. voltar às politiquices do trabalho, aos ambientes cinza e aos sorrisos acolhedores de quem não faz muito parte de nós, mas que nos quer bem. quando estou ali, estou mesmo ali, não me telefonem se não for sério. voltar a ter conversas de gente grande, especialmente sobre o parto e o dia a dia com dois pirralhinhos. nas reuniões, trabalho puro e duro. ter muito trabalho, não respirar, soprar, saber que me irrita imenso gente que está sempre a soprar, descobrir que sopro e pode ser muito. gostar de ir trabalhar, cada vez mais, ver pessoas e imaginar-lhes a vida no comboio cheio outra vez. ler no comboio, muitas páginas! gostar de ir trabalhar, mas sem pensar, dói.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

licença n° dois

comecei a escrever sobre o parto do S poucos dias depois de virmos do hospital. formato word, vai em sete páginas (serão nove?) escritas entre grandes pausas.

a gravidez do S foi muito passada em casa, de baixa, entregue aos vómitos enjoos cansaço loucuras. vontade de fazer muitas coisas mas sem capacidade física para grande coisa.

o S nasceu e os dias correm, voam desaparecem..

Dois mil e quatorze foi um ano cujos dias desapareceram mas com marcos bem reais. as mortes e os nascimentos. o meu tio e a Mimi, pessoas muitos importantes no meu crescimento. o meu filho, o meu sobrinho e o meu sobrinho emprestado da suíça (houve outras mortes e outros nascimentos).

isolei-me, voltei a viver certas loucuras. lutei comigo, contra mim, esforcei-me, venci.

a D cresceu tanto, veio o S e a D cresceu mais e mais. veio o desemprego do A e mais lutas e vitorias e crescimento. aprendemo-nos os quatro, sempre juntos e nós.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

embrulhar com estilo (rolo de papel)

os rolos de papel dão para imensa coisa (haja imaginação e tempo) e este ano lembrei-me de guardar alguns rolos de papel de cozinha para embrulhar as prendas de natal dos miúdos.

inicialmente pensei tentar fazer mochos (os cantos da cabeça fazem-me lembrar) mas ao procurar material na minha gaveta de crafts, encontrei uns autocolantes com partes de caras e decidi usá-los.

how to:

- encher o rolo com a prenda,
- dobrar os cantos para fechar o rolo,
- usar um fio ou fita para dar a volta vertical ao rolo e prender os cantos, aproveitar as pontas para o cabelo,
- fazer o corpo do boneco usando papel que dá a volta horizontal ao rolo,
- colar ou desenhar os olhos, boca, etc,
- escrever atrás o nome do destinatário :)

eu até acho que depois do embrulho esvaziado, dá um fantoche bem giro! o que acham?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

boys & girls

todos sabemos que os homens são mais intolerantes à dor.

mas será um menino de cinco meses já mais mariquinhas que uma menina de cinco meses?

sábado, 6 de dezembro de 2014

lemoncurd

o meu primeiro :)

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails