segunda-feira, 5 de junho de 2017

saudades

este fim-semana pensei sobre pequenotes. estive com um de dois meses, vi uma mana grande, ainda com chucha, a dar miminhos ao mano pequenino, já com chucha.

a conclusão é só uma: isto passa depressa demais.

preciso de me esforçar para me lembrar dos dias em que apenas usufrui da vida deles, das fotos lindas que tenho deles juntos a brincar. as primeiras gargalhadas e brincadeiras e cumplicidades conjuntas.

não quero ter mais filhos, não quero passar por tudo outra vez, apesar de todo o esforço numa só altura, não o trocava por nada: adoro ter os meus dois Bichinhos com vinte e dois meses de diferença.. mas ver tantos pequeninos nos últimos tempos, aquilo que me fez sentir, fiquei a questionar o que desejo para o futuro. mas concluo que a questão não é o futuro mas sim o passado.
não tenho saudades de ter um bebé, ou grande vontade de ter um novo bebé. tenho saudades dos meus bebés muito pequeninos, nos meus braços, no trocador, no berço, ao colo.. tenho vontade de voltar quatro anos e meio atrás, dois anos e dez meses atrás, para voltar a sentir-lhes o corpo todo enrolado e enroscado a mim, com aquele cheiro tão próprio de cada um. quero pedir um desejo (ou dois), de voltar exatamente esse tempo atrás e lá ficar por um dia, ou umas horas.

o problema é se vou parar a um daqueles dias que não me aturava a mim própria, algo incomodava e não paravam de chorar, sem verbalizarem e sendo tão pequenos, sem eu saber o que podia fazer para os ajudar. o problema é se vou parar a um daqueles dias em que queria que passassem dois anos num abrir e fechar de olhos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

inscrições

inscrevi o S no colégio.
lembro-me tantas vezes de estar no comboio, com a minha amiga Ana a falarmos sobre os tipos de colégios, a minha ignorância sobre o assunto e a necessidade de aprender rapidamente, para poder informar-me o suficiente para fazer uma boa e atempada decisão em relação à inscrição da D. tinha ela um ano.
agora está prestes a fazer cinco, ele três. agora está ela prestes a entrar no pré escolar, ele no colégio. agora, penso muitas vezes que cada decisão pequena tem tantos impactos e pode ter um peso tão grande.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

hoje sonhei

na verdade o sonho foi de ontem e não de hoje.

"Sara" foi a palavra que esteve sempre presente no sonho.
o teste que iria confirmar era de sangue, uma cena muito sádica - precisavam de sangue mas o mesmo tempo também precisavam de ficar com algum tipo de informação em mim, então o meu dedo iria ser colocado numa espécie de máquina de costura, a agulha iria fazer com que o sangue fosse extraído e deixava-me uma linha cosida, de um lado ao outro do dedo.
"Sara". eu não estava a conseguir deixar a minha mão quieta no local e por isso o A agarrou-me, enquanto eu gritava (não sei se o grito era só por dentro ou também por fora).. não só de medo da agulha mas porque tudo aquilo me estava a sufocar. "Sara".
pensei que era um assunto mais que resolvido em mim, e de vez em quando.. este "Sara" gigante que se apodera, pondo tanto em causa, fazendo-me estar um dia inteiro a chorar, a questionar-me, a pensar que posso estar a matar os planos de Deus para mim, a ver carros e constantemente os "e se" na minha mente.
no segundo em que a máquina furou o meu dedo, a médica teve a informação que precisava, e escondida em frente ao monitor, grita do outro lado da sala: eu sabia, vão ter uma menina!
"Sara".
esqueci de lhe perguntar de que tempo estava.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

online

gosto tanto de fazer compras online!

comparamos tudo o que nos apetece.
pensamos o que temos a pensar.
pedimos opinião.
vamos à concorrência e comparamos preços.
gravamos e pensamos mais um pouco.
imaginamos com tempo a compra em nossa casa.
decidimos, compramos, escolhemos dia e hora, pagamos.. tudo sentados!

tenho a experiência de ir buscar aos CTT, irem levar ao trabalho, a um local de parceria, a casa.
tenho experiência de comprar roupa, comida, detergente, sapatos, roupa mini, frutos e legumes biológicos..
e agora.. vou ter de móveis! viva a nova loja IKEA online (não, não ganho nada com a publicidade!).

e depois, aquelas cócegas na barriga no dia de entrega à espera que a campainha toque, o entusiasmo enquanto os senhores sobem até nossa casa, o cheiro a "coisa nova"!

e a espera que o meu irmão mais velho vá lá a casa ajudar na montagem :)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

sonhos

lembro-me de ser muito miúda e sonhar, muito. lembro-me de algures quando eu andava na primária, estar no trabalho da minha tia e ao falar-lhe sobre um sonho que tinha tido, uma cliente dizer "coitadinha, assim não descansas durante a noite". lembro-me que sempre dormi mal, mas nunca associei aos sonhos.
sempre tive sonhos maus e angustiantes, muitas vezes tive pesadelos de acordar encharcada em suor e tão assustada que não conseguia adormecer novamente, ainda os tenho.
sempre tentei não lhes dar importância, não porque me tenham dito para o fazer, mas porque era a minha única opção: que outra coisa fazer quando sonhava com pessoas reais a fazerem mal a outras? quando eu fazia mal a outras? quando via alguém morrer?
muito mais tarde a minha ideia em relação à sensibilidade que todos podemos ter de ler o que não está escrito começou a mudar. como ficam os sonhos neste novo pensar? ainda não sei.

recentemente, fiquei feliz quando sonhei que uns amigos estavam grávidos e estavam. não por eu ter acertado mas por eles o desejarem. senti-me mal quando sonhei que comprei a vivenda duns amigos, quando acordei sentia que tinha roubado-lhes algo e no dia seguinte soube que eles estavam a divorciar-se. fiquei incomodada quando sonhei que os pais duma amiga tinham ido para o hospital e a mãe tinha morrido, telefonei-lhe durante o dia e perguntei pelos pais, sem dar motivos. a verdade é que ambos estão velhotes e vi-os à pouco, podia ter feito 'o filme' porcausa disso.
fiquei assustada quando sonhei que uma das minhas maiores amigas tinha cancro e estava muito mal já nos últimos tempos de vida, pensei que a mãe dela morreu à pouco tempo de cancro e misturei tudo no estúpido sonho.
e hoje, não sonhei, foi ela que me contou, que após os exames preliminares, vai agora fazer uma ressonância magnética porque encontraram caroços onde não deviam estar com aspecto que não deviam ter. e ela questiona-se se deve ou não fazer tratamento caso seja necessário.
e agora faço o que fiz sempre, desde que aprendi a escrever: escrevo um sonho mau. não para depois saber se se tornou real, mas para passá-lo para o papel (ou para o virtual) e a seguir conseguir simplesmente esquecê-lo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

o mistério das meias perdidas

em todas as casas é o mesmo problema. em todas não será, porque há pessoas muito orientadas e a verdade é que nunca ouvi a minha mãe a queixar-se desta situação (tenho de lhe perguntar).
em muitas casas o mesmo problema: onde está o par desta meia?

pois ando em cima deste assunto e aqui vão umas teorias:
- uma das meias caiu para trás do cesto da roupa, e ao tirar o cesto para as limpezas foi arrastada para baixo do frigorífico. quando arrastarmos o frigorífico para limpar, já passou tanto tempo que não nos lembramos que deitámos a primeira meia fora;
- uma das meias voou do estendal. eventualmente alguém vai vê-la e pô-la num sítio da rua para os vários vizinhos verem se é seu. o problema é que, mesmo que a meia não tenha sofrido qualquer aventura, vai estar com aspecto de ter sido violada pela boca de quatro cães e nem pensar em tocá-la;
- o cônjuge menos atento fez parelha com meias erradas. esta chateia-me, porque é possível que as meias não se voltem a juntar durante muito tempo. são forçadas a uma relação ilícita sem ninguém tirar prazer. tenho três pares de meias castanhas escuras. material, textura, tipo de coz semelhante. mas uma tem números por baixo dos dedos, outra tem letras junto ao coz, e a outra não tem nada - acho muito difícil não se ver o par, por muito que letras e números sejam minúsculos. tenho, tentando não exagerar, uns quinze pares de meias pretas, mas umas têm pequenos números ou letras, outras têm o coz maior ou menor, ou mesmo cortado por me apertarem. umas estão mais largas, outras deslavadas, umas tendem para o azul e outras para o cinza. qual a dificuldade?? o pior é se descubro que quem as trocou fui eu!

quais são as tuas teorias?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

wrap up

gosto de embrulhos.

contêm o sonho muitas vezes desconhecido, escondido. fazem parte do que estou a oferecer.

estraga-me algo cá dentro quando se desembrulha à pressa, a parecer que não se olhou para o exterior, não se parou dois segundos a perceber que aquilo também foi pensado. não me chateia que se rasgue e deite fora o papel, apenas que não se dê atenção.

adoro fazer embrulhos que, mesmo imperfeitos, infantis, what ever, demonstrem o carinho que ali coloquei. e ainda adoro quando estou sem imaginação e ela aparece de surpresa.

hoje depois dos miúdos deitados e marido a ir trabalhar, levei umas quantas coisas para a sala e comecei. não sabia o que fazer de diferente, apenas sabia que estava quase sem tempo e não sabia onde e como escrever o nome do destinatário.

então pensei em fazer árvores de natal em washi tape, e quando olhei para o papel a usar para as prendas dos miúdos, tudo fez sentido: washi tape colorido a fazer de cachecóis :)

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