domingo, 25 de setembro de 2016

querer, poder, ser.

lembro-me, desde sempre, querer ser mãe. pôr uma cadeira em frente a um espelho alto, pôr-me em cima da cadeira, esconder uma almofada na minha barriga e ficar a olhar e sonhar. vieram as descobertas da vida e algures esse querer desvaneceu-se.

depois veio o A e a certeza do amor, e depois uma maior certeza do querer que já existia: ser mãe.

deparo-me hoje, em vários momentos da vida, com o pensamento do: será que pensamos bem?

sei que quis muito ser mãe, e por ter descoberto problemas nos ovários ainda quis mais ser mãe. questionamo-nos, ambos, se o poderíamos ser, a nível de dinheiro, de logística, de paciência, etc. agora, não deveríamos ir a algum sítio fazer uns psicotécnicos, que nos dissessem se ser mãe e pai somos nós? vamos ou não ter capacidade, discernimento, tudo o que acreditamos ser imprescindível vamos colocá-lo ao nível intemporal e congruente?

desejar oferecer o base aos meus filhos e constantemente estar a questionar se estou, minimamente a passar-lhes isso.

sei ser mãe?

sábado, 24 de setembro de 2016

hoje sonhei (e acabei de me lembrar)

que estava grávida.

fui logo falar com a minha chefe, estava muito triste e... seca, não saia qualquer lágrima e eu própria não sabia porquê.

tanto em sonhos como na vida real, neste momento sei: não quero estar grávida.

e acabar de me lembrar disto é, novamente, sufocante..

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

sou princesa

a ideia que pessoas diferentes têm das princesas é ou pode ser muito diferente entre si.

sou uma princesa dos pés. não que os meus pés sejam lindos e pequenos (felizmente também não são gigantes), mas porque qualquer coisa aleija. seja uma mini concha, uma pedrinha no calçado, o calcanhar que é tão seco que dói, a areia mais quente, uns ténis super almofadados que nos primeiros tempos fazem feridas, daquelas que obrigam ao uso de pensos e de sapatos velhos nos dias seguintes.

sou uma princesa da pele. não que tenha uma pele cristalina e aveludada, antes pelo contrário. tudo me faz alergia e borbulhas e reações e vermelhidão. tenho pele super sensível e delicada.

sou uma princesa da cama (nada porno por aqui). tal e qual a Princesa Ervilha, que com uma micro migalha ou impureza com relevo não consigo dormir.

sou uma princesa das calças. eu que sempre adorei calças largas, com a moda atual tenho mais calças largas que alguma vez tive. calças largas obrigam a certos cuidados que uma trapalhona desastrada como eu deve ter - nunca correr, nunca descer degraus à pressa, nunca andar rápido quando está muito vento porque o tecido duma perna vai para o lado da outra perna e aumenta o perigo de queda (mais uma vez).

MAS quando subo degraus com calças largas, quando tenho de puxar as calças para cima como se fosse um super vestido com saiote, quando as levanto ligeiramente e subo a correr para apanhar o comboio como se estivesse a saltitar entre os lagos do meu palacete, aí sim sou uma princesa!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

dia de festa

acordei cedo, tratei do bolo, não correu como visualizei, repensei o bolo e a miúda adorou. fomos para a festa número um, só para criançada. cheguei lá já frustrada mas feliz por ver a felicidade da D, e eu também a conseguir aproveitar o momento. no fim, quando os pais os foram buscar e os miúdos apresentaram o que aprenderam, a felicidade da D era enorme, apesar de ver nela alguma "envergonhadez", não desistiu do que nos queria mostrar. tirei uns segundos para olhar para os outros pais, o que vi disse-me que valeu a pena!

por essa altura a dor de cabeça já era bem sentida, o stress, o querer fazer bem, o atrasarmo-nos..

o A foi buscar frangos e eu levei quinze pessoas da família, em excursão, até à festa numero dois, em minha casa. estava a tentar manter-me calma mesmo sabendo que estava tudo para preparar, que o A tinha estado a trabalhar durante a noite e ainda sem dormir. acabou por correr mesmo muito bem, com relativa paz quando temos dezanove pessoas em casa, quase metade crianças. depois do trabalho chegou ainda a minha irmã. vi todos felizes, apesar de ter tido, depois, de os mandar embora, achei que correu bem para todos. demos a nossa prenda à miúda, ela adorou. o A foi deitar-se, a D não queria largar a prenda o S não queria deixar de tentar mexer na prenda da D.. lá consegui que se deitassem para a cesta e eu com eles. acordei pouco depois, arrumei algumas coisas, eles acordaram e brincaram mais, dei reforço medicamental à minha enxaqueca, o A acordou, dei-lhes banho e comida, despedimo-nos, o A foi trabalhar, fui deitá-los, adormeci um pouco entretanto.. fui despachar-me e enquanto lavava os dentes, apesar de toda a alegria que a D demonstrou o dia todo, eu naquele momento senti pena de mim! e pensei: enquanto eles não me deixarem dormir, tenho de parar com estas m####s e só fazer coisas pequenas! o cansaço falava muito alto. peguei no telemóvel e para ir deitar-me e li: os teus sobrinhos comentaram "a tia faz festas muita fixes!"

e.. para o ano haverá mais. aliás, daqui a dez meses no terceiro aniversário (....... não é terceiro, é só o próximo) do S :)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

setembro

 Carla Nazareth ilustrações

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

complementares

gosto de brincos diferentes entre si mas que são um par. em cada orelha fica algo diferente, mas na junção, complementam-se. pode ser... uma lua e um sol, a Minnie e o Mickey, o 'good' e o 'morning', ou até o mesmo desenho mas um mais pequeno que o outro.

nesse sentido, criei uma linha de sapatos também complementares - um pertence ao outro, mas diferentes - why not?

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

fim de tarde

"vou só deitar-me no sofá um bocadinho"

foi o que disse hoje ao chegar a casa. dizer isto antes do banho e preparar roupas e coisas para amanhã... Significa que o cansaço já está novamente num farrapo.

o pai pôs-se a brincar com a D, com direito a pinos e cambalhotas. começa outro ataque de tosse, atrapalha-se e o lanche vai fora. coberta do sofá suja, chão sujo, pai a refilar com a miúda. levanto-me e sai um: eu só pedi para estar no sofá um bocadinho, e não é a menina que tem de gerir se as brincadeiras são ou não demais para a tosse, és tu o adulto!

noutros dias, o A teria aberto a boca e tinha corrido muito mal, hoje, saiu-lhe um "pois" e nem ar refilão fez - colhemos (tem dias) o que temos semeado duma comunicação mais transparente e do esforço de respeitarmos e confiarmos totalmente no outro enquanto mãe/ pai. hoje saiu-me mal, mas os momentos bons fazem com que ele tenha maior capacidade para perceber e ajudar-me quando não estou nos meus dias.

levei a D para a casa de banho, levei a coberta para a máquina, o A limpou o chão, eu voltei a deitar-me e ele seguiu para ver o que a miúda precisava.

o S entretanto estava com o seu novo jogo: pega numa raquete de ping pong de plástico mais num brinquedo qualquer que não seja bola (tem muito mais graça assim), manda o brinquedo ao ar e acerta-lhe com a raquete. vi que um mini brinquedo passou por cima de mim, ignorei mas... MAS.. senti uma gota na perna! podia ser alguém que, ao tentar falar alto se tivesse cuspido para cima de mim (naquele momento ninguém estava a falar perto de mim), podia ser uma inundação do andar de cima (apesar de ser a sala e ir trazer mais problemas se assim fosse), pensei que fosse psicológico e o melhor era mesmo esquecer.

até que o S grita:
mamã, muto xixi no chão!

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