quarta-feira, 18 de outubro de 2017

what if,!

as questões (só algumas) que estão presentes antes duma operação:
. porque não podemos ter apenas um assunto stressante de cada vez?
. e se eu pertenço à minúscula percentagem de pessoas que morre na sala de operações por motivos que nada têm a ver com a operação? (uma bactéria, uma alergia ou infeção desconhecida, uma cena estupidamente minúscula que ninguém viu)
. e se ninguém se lembra que ela precisa de atenção e de ter o seu próprio tempo sozinha, de mimos e liberdade, de falar as suas histórias como se fossem a mais pura verdade enquanto respondemos como se não o percebessemos? de ser lembrada que a perfeição não é necessária em nenhum momento da nossa vida, que temos direito de perseguir os nossos sonhos, que ela é linda do coração (mas por acaso por fora também) e que as suas verdadeiras pessoas saberão isso? que é das pessoas mais fortes que conheço, que precisa saber que ela é preciosa e deve encontrar pessoas merecedoras da sua presença. que não tem de agradar aos outros. que não é preciso ser sempre forte e que o mano tem pais, que a função dela é ser criança e não se preocupar com nada?
. e se ninguém se lembra que ele precisa de travões constantes mas que lhe digam isso como se a ideia fosse dele? que se precisa também focar nas consequências e não apenas no agora. que é lindo e maravilhoso especialmente no coração (e por acaso por fora também) e que tem de deixar de dizer que é tonto e parvo para se desculpar das ações menos boas, mas mesmo com estas, e se ninguém se lembra de dizer que ele é amado incondicionalmente e se a seguir ele diz que não sabe o que é "amor", lembrar que é gostar muito e sempre? e se não lhe dizem que é muito mais inteligente do que quer mostrar?
. e se ninguém te lembra que não podes desistir mesmo que eu não esteja? em primeiro lugar por ti mesmo e, se isso não for suficiente, pelos nossos Bichinhos. que tens de viver e não apenas sobreviver. que tens e temos sonhos que podes construir e vivê-los mesmo sem mim?
. e se para o outro assunto stressante é preciso mais do que acompanhar e eu, por estar a recuperar, não posso ir fazer exames a apertar-lhe a mão? dizer-lhe parvoíces para sorrir? inventar qualquer realidade do tipo "A vida é bela" para não saber o que se passa?
. e se a operação corre bem a nível de bactérias e alergias mortíferas mas eu fico com mais dores, coxa, mais coxa e mais torta, ou sem conseguir mexer os pés para sempre? e se não conseguir ser feliz assim?
. e se me vou embora e não tive tantas conversas que quereria ter tido?
. e se corre tudo bem e as dores iniciais são insuportáveis?
. se faço um disparate qualquer só para fugir da operação?
. se, por estar com um super senhor herpes ou por hoje ter andado à chuva, fico doente me adiam a operação?
. e se... só de pensar em demasia fico maluquinha?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

as verdadeiras razões

as verdadeiras razão de ser operada..

. preciso duma cura de sono
. preciso ser mais alta e a regularização dos discos vai dar-me alguns centímetros extra
. preciso dum rabo normal, e endireitar a curva inferior da coluna vai confirmar que afinal o meu rabo não é assim tão espevitado
. preciso de uma cura de sono!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

datas marcadas

sempre fui muito intensa, sempre vivi, mesmo que apenas dentro de mim, muito intensamente. o que provoca algo muito mau: stress! com datas marcadas tudo aumenta. lembro-me de ser miúda e estar entusiasmada com a chegada do meu aniversário, e parecia que tudo na minha cabeça me fazia lembrar isso: a data que teria de comprar o passe (o anterior ao meu aniversário só porque sim, o posterior porque já teria passado).. e no limite, isto pode levar a algo ainda pior: a insanidade.

a cirurgia, os exames pré-operatórios, a consulta de anestesia: tudo marcado. já marquei o hotel onde os meninos vão ficar nesses dias, já fiz uma limpeza super profunda ao quarto deles, já revi roupas q já não lhe serviam.

antes tenho de...
. ir buscar o resultado da eco da D e mostrar à pediatra,
. ir (eu e o S) a uma consulta de dermatologia e ter certeza que está tudo bem,
.como não sabemos estar quietos, para a semana vêm pintar o meu quarto e a cozinha (e mudar o lavatório de um ex, na esperança de reaver a minha aliança - e ficar com o móvel mais bonito, claro!)
. comprar uma camisa de dormir para mim (nao tenho nenhuma de  inverno porque não  gosto e faz-me frio nas pernas) vai ter de ser gira!
. comprar umas leggings para a D,
. queimar umas cartas que não quero que ninguém veja,
. ter uma semana profissional completamente louca em que já tenho agendado quatro reuniões, dois jantares e um almoço!

será só?

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

eu e as minhas costas

aprendi antes dos meus colegas de escola que nas costas, entre outras, existe a zona lombar e a zona sacra. que a zona que une ambas é a lombar-sagrada.

foi depois de uma queda, deveria ter uns douze anos. as dores levaram-me ao médico e ao meu primeiro TAC, donde saí sozinha de camioneta e fui o caminho todo com tonturas (pensei que todos os TAC's provocassem isso). poucos dias depois telefonaram a dizer que tinha de o repetir porque tinha ficado tremido, e aí percebi que os TAC's não dão tonturas.

lembro-me de não ter percebido grande coisa do que o médico disse após ver o exame, e lembro-me que passado alguns dias a minha mãe finalmente ganhou coragem e no meio do caminho entre Almada e o Monte, disse-me que eu teria de ser operada à coluna, mas que só aconselhavam a operação quando já não houvesse nada a fazer: ou seja, quando eu ficasse sem andar.
com o tempo e mais conversas, fui percebendo que tinha uma má formação na coluna, os discos na zona lombar-sagrada estavam mais para dentro do que o normal, que mais cedo ou mais tarde iriam tocar nos nervos e tendões que ligam às pernas e seria nesse momento que ficava sem andar. percebi que achavam que não se devia mexer antes, porque na coluna só se toca em último recurso.
isto foi há mais de vinte anos.
as dores continuaram sempre a piorar e, confesso, ainda fui a um ou outro médico diferente à espera de alguma ajuda, mas eles aconselharam operação, um deles.. com urgência! percebi que a operação já não era vista como último recurso, o problema é que na minha cabeça, sempre continuou a ser.
agora, depois de quatro ortopedistas terem sugerido cirurgia, mais um osteopata, mais dois médicos de clínica geral, mais um neurocirurgião.. e a minha chefe ter-me perguntado directamente quando é que iria deixar de pedir opiniões e aceitar que esse é o caminho... passei pela Neurocirurgia do Hospital Garcia de Orta, e confesso: não gostei do que lá vi, assustei-me e após tantos anos a não querer pensar nisto, tornou-se uma tortura ter de esperar. segui para o Hospital da Luz e o médico encaminhou-me para a CUF Infante Santo.
agora é fazer de tudo para que passe rápido sem pensar demasiado - claro que as enxaquecas diárias fazem-me ter certeza que o stress está altamente presente..

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

eles ficam na escola, nós vimos embora e deixamos lá parte do coração arrancado

hoje foi uma daquelas noites e um daqueles dias.


nos últimos dias os miúdos não querem ficar na cama ao deitar. o S vem ter comigo devagarinho, como se quisesse a minha atenção mas ao mesmo tempo quisesse ser transparente - tapa a cara com um dos bonecos e fica imóvel à minha frente. a D vem a choramingar, como se só o choro a salvasse de eu me zangar.
volto a andar cansada e não tenho capacidade de os levar para o quarto, estar com eles, acalmá-los, deitada agora na cama da direita, depois na da esquerda. não consigo lidar com um deles a choramingar (aquele choramingar do som irritante), ou a falar mais alto. não consigo lidar com apenas querer uns minutos só para mim, o que não irá acontecer.


o S adormeceu no sofa, eu fui para a cozinha, um bom tempo depois, a D apareceu, acordadíssima. terminei o meu telefonema já na cama dela, combinei que depois iriamos ver em conjunto como é que o quarto deles poderá não ficar tão escuro, mas que agora poderia ir comigo para o meu quarto. fui buscar o S à sala e pu-lo na cama dele, passava das 23.00. acordou por volta das 3, com febre. depois do medicamento adormeceu na minha cama, entre mim e a irmã. acordou por volta das sete com febre, voltou a dormir, e eu também, apesar do despertador já ter tocado. acordei assustada uma hora depois, a tentar estar consciente dos meus actos e frustrações, consciente de estar desorientada e stressada pelo sono e por ser muito tarde. mas isso não me bloqueou o grito, ou de mandar a D parar de chorar - e o que eu detesto que se mande as crianças pararem de chorar.
abracei-a irritada e foi o abraço dela que me acalmou. fomos para a escola mais calmos.
quando lembrei a educadora que hoje era o ultimo dia da D no colégio, as lágrimas vieram sem avisar e a educadora abraçou-me (o que obviamente não ajudou ao meu controlo) e apesar dos últimos tempos o S já ficar melhor na escola (o pai a levar), hoje por ser eu a levá-los, ou por eu estar mal e ele absorver isso (apesar dele não me ter visto a chorar), ou pela febre baixa a pairar, ou pela noite mal dormida, tive de me vir embora, novamente, com a educadora a arrancar-mo do pescoço.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

D

este fim-semana foi a festa de aniversário da D.
como já passaram cinco anos? sei uma parte da resposta: passaram comigo em modo zombie! de quem não dorme e por isso fica o dia todo a mexer-se, a saltitar (esta é difícil quando só se trabalha ao computador, mas é possível!), a comer sem parar, isto para não adormecer durante o dia.
há cerca de ano e meio, talvez dois, da vida dos meus filhos que eu vejo tudo enuvoado.. que me questiono se fiz bem as contas.
voltando à festa, as coisas do costume: os miúdos é que interessam, ver a felicidade da D ao reparar nos promenores da mesa, a ver a quantidade de meninos que vieram só para ela, etc. compensa tudo.
depois, houve a família pouco presente e houve amigos a fazer muito mais do que a obrigação. ainda me lembro de fazer quase tudo sozinha, ainda não estou habituada, afinal, a verdade é que desde miúda que nunca senti a minha família realmente lá para mim.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

o teu olhar para o teu irmão

às vezes é subtil. outras tão óbvio.

o teu olhar para com o teu irmão comove-me, aperta-me cá dentro no bom sentido, naquele sentido que nos sai da boca um "ooohhhh!".

ensinas, apoias, suportas. e é tão forte que já é recíproco.

ontem achaste que havia um monstro no quarto, tu já sabias mas expliquei-te que era a sombra da luz do rádio. e o S disse: mana, estás a ver a sombra da minha mão? é só sombra, não faz mal.

há segundos em que penso que talvez não fizesse novamente igual, que vos vejo a guerrear e tenho certeza que estamos a fazer muitas coisas mal. mas respiro e vejo este teu olhar para o mano, outros olhares dele para ti. vejo esta cumplicidade já tão forte e acredito que vai tudo correr bem.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

my S

nunca vi pestanas tão longas e lindas na minha família. não sei o que fazer com taaaaaaaaanta malandrice, personalidade, selvageria, o que se quiser chamar. não sei como lidar com este menino tão doce e tão desafiante para mim. tira-me do sério e eu gostava de saber falar a mesma linguagem dele, para podermos chegar a alguma conversa comum.

nunca vi sobrancelhas tão delineadas e escuras na minha família. este nariz que muda e é cada vez mais do pai, este rabo quadrado que reconheço, esta personalidade de quem quer ser gente rapidamente, de quem não deixa que lhe façam mal, nem a ele nem aos seus, começando pela mana. nunca vi tantos nãos, verbais ou simplesmente em ações.

quanto mais conheço o meu S, mais sinto falta da minha sogra que nunca conheci, nunca pude falar mal, nem nunca me enraiveceu. tenho cada vez mais como certo que ela teria bons conselhos para me dar, daqueles de quem tem experiência.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

forever home (yap.. again!)

apaixonei-me por uma casa, já o disse aqui antes. foi algures por fevereiro março do ano passado. "apaixonar" é uma palavra forte, especialmente se pensar que apenas a vi na net. na altura era impensável comprar casa, enviei o link ao A, falámos da casa, na verdade, falámos muitas vezes, mas nunca lhe propus irmos ver. sinto que foi uma paixão platónica, como na adolescência, que apaixonamo-nos por alguém ao longe, sem o conhecermos de verdade. mas a verdade é que a casa deixou de estar na net muito rápido, foi vendida à velocidade da luz mas eu senti que aquela podia ser o nosso lar para sempre, a nossa forever home, onde os nossos filhos cresceriam, faríamos muitas festas de aniversário, muitos natais em família (e apesar do stress, da trabalheira e de algumas mágoas, eu acho que gostaria que a nossa fosse a casa onde se passassem a maioria dos Natais). nós, apaixonados por algo que  nunca seria nosso, batizámo-la por "Casa do Limoeiro". foi vendida mas dei por mim a falar sobre ela muitas vezes e, estupidamente, a pensar e a sonhar (acordada e a dormir) com ela quase todos os dias por quase um ano.

até que as nossas condições mudaram um pouco e o A quis começar a ver casas. eu fui do contra, porque temos uma situação de heranças por resolver. mas decidimos ir vendo na internet, apenas online, para começarmos a ter noção do mercado atual.

e este sábado, estávamos nós nas únicas mini férias a quatro que teremos este ano, e eu a estragá-las (ou pelo menos sem aproveitar) por uma gastroenterite. depois de dormir a sesta com o mais novo enquanto o A foi com a D à farmácia, dei por mim já sem sono, cheia de dores mas felizmente o S ainda dormia para eu poder estar muito sossegada e encolhida e sem canais de jeito liguei a net. a pesquisa foi semelhante a tantas outras, o site onde entrei é que não costumo ir.
vi a lateral duma vivenda tão familiar que pensei que fosse gémea da minha forever home. ao abrir as fotos fiquei com o cérebro literalmente parado. QUAIS SÃO AS HIPÓTESES? de me apaixonar por uma casa o ano passado e ela estar novamente agora à venda?
quando mostrei ao A continuava sem palavras.
- é a do Limoeiro? [silêncio] diz-me, é a do Limoeiro?

poucos segundos depois estávamos a pedir para marcar uma visita, e segunda feira, já em nossa casa e sem contacto da agência, telefonei.

continuará a ser a "Casa do Limoeiro", apaixonados sem a conhecermos de perto. continuará a ser aquela que poderia ter sido a nossa forever home, cada vez mais com a certeza de que encontraremos a nossa.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

voltar, aos poucos.

aos poucos as coisas voltam a tomar forma. aos poucos retomo as conversas perdidas algures, sempre sem fim, para às vezes cair no ridículo de perguntar inúmeras vezes sobre aquele assunto. aos poucos respiro mentalmente e tenho capacidade de fazer mais coisas giras com os miúdos. aos poucos consigo limpar a cozinha (literalmente aos poucos, porque não posso fazer duma só vez), deito fora o perfeccionismo que me deixava no sofá se não tivesse tempo para começar e acabar uma tarefa. não faço nada tão perfeito como antes, mas faço mais em menos tempo, ando mais descansada com isso. aproveito que os miúdos estão  acordados antes das sete e, enquanto espero pelo A para poder voltar a dormir, ganho força e arrumo roupas. aos poucos a casa e a vida volta a organizar-se. vejo o fundo duma gaveta que não sei quando foi a última vez que o vi, organizo washi tapes e até encontro uma chave que tenho ideia que não sabia dela desde a última mudança, há mais de oito anos!

aos poucos, a consciência de que a vida segue aos poucos :)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

saudades

este fim-semana pensei sobre pequenotes. estive com um de dois meses, vi uma mana grande, ainda com chucha, a dar miminhos ao mano pequenino, já com chucha.

a conclusão é só uma: isto passa depressa demais.

preciso de me esforçar para me lembrar dos dias em que apenas usufrui da vida deles, das fotos lindas que tenho deles juntos a brincar. as primeiras gargalhadas e brincadeiras e cumplicidades conjuntas.

não quero ter mais filhos, não quero passar por tudo outra vez, apesar de todo o esforço numa só altura, não o trocava por nada: adoro ter os meus dois Bichinhos com vinte e dois meses de diferença.. mas ver tantos pequeninos nos últimos tempos, aquilo que me fez sentir, fiquei a questionar o que desejo para o futuro. mas concluo que a questão não é o futuro mas sim o passado.
não tenho saudades de ter um bebé, ou grande vontade de ter um novo bebé. tenho saudades dos meus bebés muito pequeninos, nos meus braços, no trocador, no berço, ao colo.. tenho vontade de voltar quatro anos e meio atrás, dois anos e dez meses atrás, para voltar a sentir-lhes o corpo todo enrolado e enroscado a mim, com aquele cheiro tão próprio de cada um. quero pedir um desejo (ou dois), de voltar exatamente esse tempo atrás e lá ficar por um dia, ou umas horas.

o problema é se vou parar a um daqueles dias que não me aturava a mim própria, algo incomodava e não paravam de chorar, sem verbalizarem e sendo tão pequenos, sem eu saber o que podia fazer para os ajudar. o problema é se vou parar a um daqueles dias em que queria que passassem dois anos num abrir e fechar de olhos.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

inscrições

inscrevi o S no colégio.
lembro-me tantas vezes de estar no comboio, com a minha amiga Ana a falarmos sobre os tipos de colégios, a minha ignorância sobre o assunto e a necessidade de aprender rapidamente, para poder informar-me o suficiente para fazer uma boa e atempada decisão em relação à inscrição da D. tinha ela um ano.
agora está prestes a fazer cinco, ele três. agora está ela prestes a entrar no pré escolar, ele no colégio. agora, penso muitas vezes que cada decisão pequena tem tantos impactos e pode ter um peso tão grande.

domingo, 7 de maio de 2017

simplificar, diminuir.

comecei a descobrir o minimalismo com algo poderoso: o destralhamento, que como o nome diz, é tirar a tralha. devagar, devagarinho.

mas na verdade, apesar do minimalismo me intrigar, no bom sentido, esta minha caminhada é na simplicidade e na diminuição, para chegar mais longe.

em dois mil e doze segui o desafio da Rita que me fez querer aprofundar este tema do destralhe. entretanto a D nasceu e as prioridades eram outras, mas continuei a ler cada vez mais sobre estes temas. na verdade o destralhamento é a ponta do iceberg! lembro-me que na licença da D li muito a Thaís e a Brooke, são mesmo inspiração! na verdade fizeram-me pensar muito em querer algo diferente, querer mais do que viver apenas o dia a dia. e em como a organização da casa, trabalho, das prioridades, é apenas uma etapa do mundo da Organização da nossa vida.
como podemos alcançar sonhos se não os conseguirmos trazer para a nossa realidade atual? não conseguimos pensar e organizar a nossa vida sem ser mais do que a próxima semana ou as próximas férias?
a Thaís colocou um exemplo excelente: comprar a casa dos nossos sonhos pode estar num futuro distante. muitos de nós dedicam-se a procurar casas na net (eu!) até saberem todas as que estão à venda numa zona, e passam a vida toda a dizer que se o ordenado fosse maior, se, se, se.. o que queriam mesmo era uma casa diferente da que têm, e o que fazem para mudar isso? muitos de nós, nada.
desde pequena que tenho uns tios que moravam numa casa muito pequena e a precisar de obras, como nós éramos muitos primos, ouvi vários dizer que quando fossem grandes queriam oferecer uma casa a esses tios. mas com o passar dos anos eu apercebi-me que esses meus tios tinham algumas posses, eles não fizeram por arranjar aquela ou outra casa porque na verdade isso não era a prioridade (consciente ou não) deles!
onde fica então o projeto da casa dos meus sonhos, quando o nosso orçamento não dá para ela? posso começar a trazer esse sonho para a minha realidade atual se decidir nesta semana pesquisar em sites quais os melhores tipos de poupança a médio prazo, e na semana seguinte for a um banco abrir uma conta poupança.. isto até me pode motivar a poupar mais!
o destralhamento é apenas a ponta do iceberg da organização da nossa vida, à medida que vamos retirando o que não nos interessa, o que não nos faz falta, vamos tendo tempo mental para percebermos o que queremos, porque o importante não é o deitar fora a tralha, é deixar no nosso lar o que é muito importante para nós! não é decidir o que vai, é decidir o que fica. e é, por outro lado, o obrigarmo-nos a tomar decisões. por incrível que pareça, chega a altura em que não estamos mais a decidir se queremos ficar com a camisola A ou B, mas estamos a especializarmo-nos em decidir, seja qual for o problema. estamos a especializarmo-nos em conhecermos melhor quem somos, ficando mais claro o caminho que queremos percorrer.
lembro-me que quando a D parecia querer começar a gatinhar, procurei as zonas de perigo na nossa casa. escondi duas coisas que eu gostava mas pensei que quando os miúdos fossem maiores, voltaria a usar: uma jarra grande com pot-porrie e um candelabro alto, estavam ambos no chão a decorar cantos da casa. o que descobri rapidamente foi que era estupidamente mais rápido limpar a casa quando tinha menos essas duas peças para tirar pó, para desviar ao aspirar, para desviar ao lavar o chão.. a questão não é menos uns segundos de cada vez, é multiplicarmos pelas muitas vezes que o fazemos, é pensar nas restantes coisas a que tiramos o pó e afinal, até podem não nos ser importantes!
o meu sonho atual é uma casa mais simples, que eu entre e respire bem, seja arejada e não atafulhada. rápida de limpar, porque eu não adoro limpar.
porque no fundo o que eu quero é ter tempo e liberdade mental para o presente.. o que eu adoro é brincar com os meus filhos! passear ou fazer um pic-nic na sala com eles aos domingos enquanto vemos o Frozen pela décima vez, ter as minhas pessoas dentro da minha casa sabendo que elas são bem acolhidas pelo nosso lar.

fará sentido?

quarta-feira, 26 de abril de 2017

hoje sonhei

na verdade o sonho foi de ontem e não de hoje.

"Sara" foi a palavra que esteve sempre presente no sonho.
o teste que iria confirmar era de sangue, uma cena muito sádica - precisavam de sangue mas o mesmo tempo também precisavam de ficar com algum tipo de informação em mim, então o meu dedo iria ser colocado numa espécie de máquina de costura, a agulha iria fazer com que o sangue fosse extraído e deixava-me uma linha cosida, de um lado ao outro do dedo.
"Sara". eu não estava a conseguir deixar a minha mão quieta no local e por isso o A agarrou-me, enquanto eu gritava (não sei se o grito era só por dentro ou também por fora).. não só de medo da agulha mas porque tudo aquilo me estava a sufocar. "Sara".
pensei que era um assunto mais que resolvido em mim, e de vez em quando.. este "Sara" gigante que se apodera, pondo tanto em causa, fazendo-me estar um dia inteiro a chorar, a questionar-me, a pensar que posso estar a matar os planos de Deus para mim, a ver carros e constantemente os "e se" na minha mente.
no segundo em que a máquina furou o meu dedo, a médica teve a informação que precisava, e escondida em frente ao monitor, grita do outro lado da sala: eu sabia, vão ter uma menina!
"Sara".
esqueci de lhe perguntar de que tempo estava.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

online

gosto tanto de fazer compras online!

comparamos tudo o que nos apetece.
pensamos o que temos a pensar.
pedimos opinião.
vamos à concorrência e comparamos preços.
gravamos e pensamos mais um pouco.
imaginamos com tempo a compra em nossa casa.
decidimos, compramos, escolhemos dia e hora, pagamos.. tudo sentados!

tenho a experiência de ir buscar aos CTT, irem levar ao trabalho, a um local de parceria, a casa.
tenho experiência de comprar roupa, comida, detergente, sapatos, roupa mini, frutos e legumes biológicos..
e agora.. vou ter de móveis! viva a nova loja IKEA online (não, não ganho nada com a publicidade!).

e depois, aquelas cócegas na barriga no dia de entrega à espera que a campainha toque, o entusiasmo enquanto os senhores sobem até nossa casa, o cheiro a "coisa nova"!

e a espera que o meu irmão mais velho vá lá a casa ajudar na montagem :)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

sonhos

lembro-me de ser muito miúda e sonhar, muito. lembro-me de algures quando eu andava na primária, estar no trabalho da minha tia e ao falar-lhe sobre um sonho que tinha tido, uma cliente dizer "coitadinha, assim não descansas durante a noite". lembro-me que sempre dormi mal, mas nunca associei aos sonhos.
sempre tive sonhos maus e angustiantes, muitas vezes tive pesadelos de acordar encharcada em suor e tão assustada que não conseguia adormecer novamente, ainda os tenho.
sempre tentei não lhes dar importância, não porque me tenham dito para o fazer, mas porque era a minha única opção: que outra coisa fazer quando sonhava com pessoas reais a fazerem mal a outras? quando eu fazia mal a outras? quando via alguém morrer?
muito mais tarde a minha ideia em relação à sensibilidade que todos podemos ter de ler o que não está escrito começou a mudar. como ficam os sonhos neste novo pensar? ainda não sei.

recentemente, fiquei feliz quando sonhei que uns amigos estavam grávidos e estavam. não por eu ter acertado mas por eles o desejarem. senti-me mal quando sonhei que comprei a vivenda duns amigos, quando acordei sentia que tinha roubado-lhes algo e no dia seguinte soube que eles estavam a divorciar-se. fiquei incomodada quando sonhei que os pais duma amiga tinham ido para o hospital e a mãe tinha morrido, telefonei-lhe durante o dia e perguntei pelos pais, sem dar motivos. a verdade é que ambos estão velhotes e vi-os à pouco, podia ter feito 'o filme' porcausa disso.
fiquei assustada quando sonhei que uma das minhas maiores amigas tinha cancro e estava muito mal já nos últimos tempos de vida, pensei que a mãe dela morreu à pouco tempo de cancro e misturei tudo no estúpido sonho.
e hoje, não sonhei, foi ela que me contou, que após os exames preliminares, vai agora fazer uma ressonância magnética porque encontraram caroços onde não deviam estar com aspecto que não deviam ter. e ela questiona-se se deve ou não fazer tratamento caso seja necessário.
e agora faço o que fiz sempre, desde que aprendi a escrever: escrevo um sonho mau. não para depois saber se se tornou real, mas para passá-lo para o papel (ou para o virtual) e a seguir conseguir simplesmente esquecê-lo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

o mistério das meias perdidas

em todas as casas é o mesmo problema. em todas não será, porque há pessoas muito orientadas e a verdade é que nunca ouvi a minha mãe a queixar-se desta situação (tenho de lhe perguntar).
em muitas casas o mesmo problema: onde está o par desta meia?

pois ando em cima deste assunto e aqui vão umas teorias:
- uma das meias caiu para trás do cesto da roupa, e ao tirar o cesto para as limpezas foi arrastada para baixo do frigorífico. quando arrastarmos o frigorífico para limpar, já passou tanto tempo que não nos lembramos que deitámos a primeira meia fora;
- uma das meias voou do estendal. eventualmente alguém vai vê-la e pô-la num sítio da rua para os vários vizinhos verem se é seu. o problema é que, mesmo que a meia não tenha sofrido qualquer aventura, vai estar com aspecto de ter sido violada pela boca de quatro cães e nem pensar em tocá-la;
- o cônjuge menos atento fez parelha com meias erradas. esta chateia-me, porque é possível que as meias não se voltem a juntar durante muito tempo. são forçadas a uma relação ilícita sem ninguém tirar prazer. tenho três pares de meias castanhas escuras. material, textura, tipo de coz semelhante. mas uma tem números por baixo dos dedos, outra tem letras junto ao coz, e a outra não tem nada - acho muito difícil não se ver o par, por muito que letras e números sejam minúsculos. tenho, tentando não exagerar, uns quinze pares de meias pretas, mas umas têm pequenos números ou letras, outras têm o coz maior ou menor, ou mesmo cortado por me apertarem. umas estão mais largas, outras deslavadas, umas tendem para o azul e outras para o cinza. qual a dificuldade?? o pior é se descubro que quem as trocou fui eu!

quais são as tuas teorias?

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